DEPENDE: a palavra que nenhum cliente quer ouvir


Quem nunca escutou a palavra depende do seu advogado?

Vamos conversar um pouco sobre essa expectativa do cliente em relação às respostas formuladas por nós, advogados.

Começando pela regra básica: o direito não é uma ciência exata e sim jurídica.

Isso quer dizer que existem variações nas possibilidades de resultado, ainda que a lei esteja “a seu favor”.

Não, isso não é uma desculpa do seu advogado para fugir das responsabilidades como profissional!!!

Além da legislação, existem outras fontes utilizadas pelos juristas, tais como: a doutrina (estudo aprofundado do direito, que origina um entendimento acadêmico sólido sobre determinado assunto), a jurisprudência (decisões precedentes dos Tribunais) e os costumes da sociedade em que se aplicará o direito.

Todas essas fontes podem ser utilizadas tanto pelo advogado, na análise do caso, quanto pelo juiz, no momento da decisão.

Então ambos, advogado e juiz, terão o mesmo entendimento? Não. A interpretação pode variar.

Sabe-se que, em determinadas situações você pode estar com toda a razão e com o direito, porém, se não tiver como provar (documentos, testemunhas, perícia etc.) suas chances de ganhar diminuem muito.

Infelizmente, não é cultura do brasileiro guardar documentos, pedir recibos ou formalizar acordos verbais por escrito.

A ausência de provas dificulta a garantia do seu direito e acaba reduzindo o processo numa disputa de palavras.

Então, conserve os recibos e notas fiscais, registre seus negócios por escrito, salve as mensagens de negociação, tire fotos etc.

A advocacia é um trabalho de meio e não de fim.

Isso quer dizer que o advogado trabalhará para alcançar o direito do seu cliente, de forma ética e responsável, porém, não há como garantir o resultado esperado.

Novamente faço uma analogia: se você for ao médico informando alguns sintomas (problema), ele provavelmente solicitará exames para conseguir diagnosticar adequadamente (provas).

Após a análise, o médico receitará o tratamento indicado para a sua situação (estratégia jurídica), o qual poderá ser diferente da opinião do outro profissional consultado previamente. Você escolherá aquele com quem mais se identificou. Mesmo assim, o médico não tem como assegurar que o tratamento funcionará da maneira como planejou, já que existe a chance de não surtir o efeito desejado.

A divergência de opiniões não significa, necessariamente, que um deles está errado ou que é melhor do que o outro. Apenas que possuem estratégias diferentes para atuar no mesmo problema. Tudo vai depender da interpretação de cada um sobre o caso.

Logo, depende não é uma palavra que deva ser temida!

Ao contrário, ela demonstra as variáveis que podem ocorrer no seu caso. É um modo transparente de atuação. Depende qual lei estava vigente na época dos fatos; depende das provas que você apresentar; depende das exceções aplicáveis ao caso; depende do que a outra parte vai juntar no processo; depende da interpretação das fontes do direito para o seu caso; depende do que as testemunhas irão dizer na audiência.

Então, por mais frustrante que seja ouvir a palavra depende – ao invés de respostas como “não tem como perder”, “é garantido” e “você está certo” – compreenda a intenção do profissional que está disposto a lhe ajudar, de forma ética e responsável, e que, para tanto, precisa lhe alertar sobre aos riscos e variáveis que não estão sob o nosso controle.

Ainda com dúvidas? Entre em contato com nosso escritório!

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